Sigo com essa dúvida sobre tais. Seriam crianças? Teriam cachos dourados, olhos azuis e asas? Ou este é o cúpido? Perdoe a confusão. Não posso tira-lo da cabeça. Eu vi um anjo, oh sim, eu vi. Juro. Passava devagar, andava mas não voava. Tinha olhos castanhos e os cabelos eram da mesma cor da noite. Meu anjo era triste. Jamais nesse tempo vi-o sorrir. Meu anjo não estava imune as fraquezas humanas, as agulhas furavam-lhe o braço furando também meu coração. Coração… meu anjo precisava de um destes. Mas como seria possível, se ele já tinha o meu? Disseram-me que o meu não serviria, ah ora essa, quem poderia julgar se o meu coração era ou não suficiente? E ele era, como era. Batia forte, ainda bate. É tão forte quanto um cavalo, tão saudável quanto o melhor dos corações. Deram-lhe outro. Um que não era o meu. Tiram-lhe as agulhas. Disseram que seria melhor para um anjo, viver na terra nos arianos. Na terra da cerveja. E assim, mudou-se então meu anjo. Não voando, mas de avião. Finalmente deram-lhe asas. Mas estas o levaram para longe de mim. Sigo esperando que retorne meu anjo inconvencional. Para que enfim possa entregar o que é seu por direito. Se alguém vir meu anjo por ai, diga que sinto sua falta, e de-lhe um recado: Aqui no meu peito calhou de morar, mas aguarda ansioso que venhas o buscar.

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